GALERIA Z42

Quarta Residência Artística | 10 a 14/Janeiro  de 2020

           Depois de um ano de encontros, experiências e imersão no Território Baía de Guanabara, os cinco dias de residência na Galeria Z-42, localizada no Cosme velho- Zona sul carioca, foi o grande momento de estarmos todos juntos, de refletirmos sobre tudo o que vivenciamos e de compartilhar nossas ações com um público mais amplo.

           O objetivo desta quarta e última residência era o de criar um diálogo amplo sobre as questões por nós levantadas, para isso decidimos criar um espaço “entre”, um espaço entre a experiência imersiva nos territórios e a exposição das obras artísticas desenvolvidas. 

           Para compor este “espaço entre”, além do nosso coletivo com 11 artistas e 10 colaboradores, convidamos outros artistas, cientistas, ambientalistas e pescadores, para que juntos construíssemos reflexões, questionamentos e trocas.  

           Durante três dias de seminário, aberto ao público, bem como da exposição das obras em desenvolvimento, construímos juntos futuros possíveis, ações políticas, e  novas formas de engajamento.

            O projeto continua... respirando, transpirando e nos movendo coletivamente.

EN

After one year of encounters, experiences, and immersion into the Guanabara Bay territory, we have five days residency in the Z-42 Gallery, located in the south zone of Rio de Janeiro city. It was a special moment for all of us to be together, to reflect on our experiences, and to share our actions with a wider audience.
The aim of this fourth artistic residency was to create a large dialogue about the questions worked during the project. For that, we proposed one space “in-between”, a space in between the immersing experience into the territories and an art exhibition.
To compose this space “in Between”, beyond our collective, we have invited other artists, scientists, environmentalists, and fishermen, to stay with us, so that together we could build reflections, exchanges, and new questions.
During three days seminar and the exhibition of the artworks being developing, together we have constructed possible futures, political actions, and forms of engagement of the public.
The project continues…. breathing, sweating, and moving us collectively.

“Videoduto"

Instalação

Ruy Cesar Campos

           Em 18 de janeiro de 2000, 1,3 milhões de litros de óleo vazaram na Baia de Guanabara com o rompimento de um duto em Duque de Caxias. Como uma zona de sacrifício em nome do progresso, são os que nela e dela vivem os sacrificados, muitos ainda hoje em luta para receber as devidas indenizações.​

           O videoduto foi encontrado na beira do Mangue do Jequiá, que em 2019 foi um dos pontos de visibilidade de denúncias de vazamento de óleo proveniente de navios. o Vídeoduto, depois de flutuar em 2018 em meio a dança entre vento, correntes marítmas e microplásticos da Baia de guanabara, adentrou o mangue danificando o barco de pescadores, até encontrar um propósito transitório para um ensaio audiovisual.​

        Seu Geraldo, um dos pescadores mais velhos da colônia Z10, no Mangue do Jequiá, em entrevista para o vídeoduto realizada com um dos pescadores mais novos e respeitados, conta de como em 1975 o primeiro gigante vazamento de óleo da Baia de Guanabara promoveu um incêndio devastador.

           1975, 1997, 2000, 2019, Baia de Guanabara e seus estratos esquecidos de desastres da petropolítica.

 

 

 

EN

On January 18, 2000, 1,3  million liters of oil spilled in Guanabara Bay when a duct disrupted in Duque de Caxias. Living in a sacrifice zone, Guanabara Bay fishermen are among the sacrificed, many of them still struggling to receive their compensation for the disaster.​

The videoduct was found at the borders of the Jequiá Mangrove, which in 2019 was a spot of another oil spill. The videoduct, after floating in 2018 among the dance between wind, water and microplastics in Guanabara Bay, entered into the mangrove damaging fishermen boats, until it was perceived as possible medium for an audiovisual essay.​

Mr. Geraldo, the older fisherman in Z10 Colony, gave an interview for the videoduct and told about the first major oil spill of the Guanabara Bay in 1975, which resulted in a fire that devasted the mangrove.​

1975, 1997, 2000, 2019, Guanabara Bay and its strata of forgotten petropolitical disasters

 

Feeling like a FISH ou Sentindo-se como um Peixe

Instalação sensorial

Walmeri Ribeiro, Daniel Puig, Thiago Caiçara e Luiz Antônio (Pãozinho)

               A instalação sensorial, Feeling like a FISH ou Sentindo-se como um Peixe, surgiu do encontro com um dos pescadores mais antigos da Colônia Z-10, Sr. Geraldo, e do convite para acompanhá-lo em um dia de pesca na Baía de Guanabara. 

               Na fala do experiente e atencioso pescador, ao relatar as dificuldades da pesca artesanal frente à poluição da Baía, ele disse: “Até o peixe já vem embalado, de tanto lixo”. Esta frase que ecoou em nossos corpos, e, foi visível a olhos nus, tornou-se então estímulo para a criação do projeto desta instalação sensorial.

           Composta   por uma  carcaça  de refrigerador, descartada no mangue do Jequiá, lixo plástico coletado dos artistas envolvidos,  e sons captados do fundo e da superfície das águas da Baía de Guanabara, Feeling like a FISH ou Sentindo-se como um Peixe , convida o espectador/participante a tornar-se performer e experienciar, pelo tempo que desejar, ou aguentar, as sensações que a poluição das águas da Guanabara produzem nos corpos, dos peixes e animais marinhos, assim como no do ser humano.

Esta é uma obra-convite ao sentir, romper hábitos e se reconectar com o que comumente chamamos Natureza.

EN

The sensory installation Feeling like a FISH ou Sentindo-se como um Peixe has emerged of the encounter with Mr. Geraldo, the oldest fisherman in Z-10 Colony, and his invitation for us to follow him in one-day fishing into the Guanabara Bay.
In his explanation about the nowadays difficulties in the artisanal fishing, in front of the pollution, this experienced and thoughtful fisherman, said: "Even the fish is already packed, so much garbage".
This phrase that reverberated in our bodies and, it was visible for our eyes, became a stimulus for this project of installation. Composed of a refrigerator carcass, discarded in Jequiá mangrove, personal plastic trash, and sounds recorded from the bottom and the surface of the Guanabara Bay’s waters, Feeling like a FISH ou Sentindo-se como um Peixe, invites the spectator/participant to become a performer and to experience the sensations that the pollution of the Guanabara’s water produced in our bodies, the fish and sea animals, as well as in the human bodies.
This is an invitation to feel, to the rupture of habits, and to reconnect with of we commonly call Nature.

“Feiticeira" 

Performance Instalativa

Marcela Cavallini, Sofia Mussolin e moradores da Colônia Z10

 

            Através da imagem de uma serpente abissal emergida da Colônia de Pescadores Z10, o nome “Feiticeira” veio tanto por se relacionar com um tipo de rede usada pelos pescadores da região (feita de 3 enredados), quanto para evocar o poder feminino, gerando força ao imagético como possível forma de alertar para urgência da realidade vivida por essa comunidade.

            Inspiradas nas palavras de Sr. Geraldo "aqueles peixes nobres, como Robalo e Linguado, que possuem casa própria e vivem no fundo do mangue", realizamos a oficina corpo-ambiente, coletamos redes, imagens e histórias durante um processo de escuta andarilha, trançamos garrafas recolhidas na comunidade e corporificamos esse signo da Z10. Surgimos de barco, em meio ao mangue, junto a outros moradores. Todos enredados pela rede-escama, e, em seguida, saímos em caminhada-performance pela colônia entoando palavras de alerta a sua situação.

            A rede-escama que esteve instalada na galeria da Z42 é um convite para adentrá-la, sentir seu cheiro e seu peso, além de assistir ao vídeo da ação decorrida na colônia de pescadores através do tablet dependurado por entre seus fios. Permitir o corpo à estar sobmerso e acostumá-lo ao novo ambiente, questionar a realidade e suas emergências. 

EN

 “Feiticeira” Installative Performance

Marcela Cavallini, Sofia Mussolin and residents of the Z10 Colony

 

Through the image of an abyssal snake emerged from the Fishermen's Colony Z10, the name “Feiticeira” came both to relate to a type of network used by fishermen in the region (made up of 3 entangled), and to evoke female power, generating strength to the imagery as a possible way of alerting to the urgency of the reality experienced by this community.

Inspired by the words of Mr. Geraldo "those noble fish, such as Robalo and Linguado, who have their own home and live in the bottom of the mangrove", we held the body-environment workshop, collected nets, images and stories during a process of listening to wanderers, braiding bottles collected from the community and embody this Z10 sign. We emerged by boat, in the middle of the mangrove, along with other residents. All of them were caught up in the scales, and then we went on a performance walk through the colony, chanting words of warning to their situation.

The netting-scale that was installed in the Z42 gallery is an invitation to enter it, feel its smell and its weight, in addition to watching the video of the action that took place in the fishing colony through the tablet hanging between its wires. Allow the body to be immersed and accustom it to the new environment, question reality and its emergencies.

"Pergunte às árvores"

Instalação
Paola Barreto - Dr Fantasma

          Para compartilhamento na Z42 do processo da residência em Paquetá, decidi expor as flores secas de palmeiras coletadas na ilha, associando-as a bobinas de cobre e amplificadores de áudio. A ideia é fazer da flor uma espécie de antena, que sintoniza frequências no campo eletromagnético ao seu redor, nos permitindo fazer escutas do ambiente em suas interações.

          Desse modo é como se as antenas de flores secas nos possibilitassem de fato uma conversação, nos colocando em contato com vozes que são audíveis apenas através desses dispositivos, que combinam elementos eletrônicos a elementos orgânicos.

Guto Nóbrega trouxe algumas provocações interessantes para desdobrar a pesquisa com o aparato, apontando para a importância de se aferir qual faixa do espectro essas antenas de flores estariam sintonizando, bem como a necessidade de criar parâmetros para compreender o que de fato estamos escutando: rádio comercial, frequências naturais ou vozes do além?

          Pergunte às árvores é o nome que dei a minha contribuição na Z42. Essas flores, apesar de não estarem mais vivas, guardam memória e história, como jovens fósseis. E se pudéssemos ouvi-las, o que teriam a nos dizer? Considerando que testemunhamos todos, humanos e não humanos, o que chamamos de mudança de era geológica, apresentei alguns protótipos de dispositivos multimediúnicos, associando tecnologias de conexão entre distintas formas de energia e nossa capacidade de imaginar e sonhar juntos.

EN
In order to share at Z42 Gallery the residency process in Paquetá, I decided to expose the dried flowers of palm trees collected on the island, associating them with copper coils and audio amplifiers. The proposal is to turn the flower into a kind of antenna, tunning frequencies in the electromagnetic field and allowing us to listen to the environment in its interactions.
In this way, I am proposing that the dried flowers are actually making possible a conversation, contacting us to discourses that could only be audible through such devices, combining electronic with organic elements. Guto Nóbrega brought some interesting provocations to unfold the research with the apparatus, pointing to the importance of assessing which band of the spectrum these flower antennas would be tuning in, as well as the need to create parameters to understand what we are actually listening to: commercial radio, natural frequencies or voices from beyond?

"Ask the trees" is how I call this project. These flowers, although no longer alive, retain memory and history, like young fossils. And if we could hear them, what would they say? Considering that we all, human and non-human, are witnessing geological changes, I presented some prototypes of multimediumistic devices, associating connection technologies between different forms of energy and our ability to imagine and dream together.

“Escutas para luz e água”

Instalação
Guto Nóbrega e Daniel Puig

           A Residência na Z42, braço do Projeto Baia de Guanabara / Territórios Sensíveis,  foi marcada por um feliz encontro de ideias e afinidades entre minhas investigações sobre comunicação à base de luz, água e vida orgânica e a inventividade sonora do artista Daniel Puig. Meu desejo, a princípio, era explorar como a água, enquanto meio, poderia informar um feixe luminoso de laser, quanto aos movimentos microscópicos de matéria orgânica proveniente de plantas aquáticas ou ,mais especificamente, o movimento das raízes dessas plantas. A ideia se constituiu em passar um feixe de laser através de um pote de vidro contendo o meio aquoso e a planta, refratar este mesmo feixe através de um cristal de quartzo, e fazê-lo incidir sobre um sensor de luz. Com a ajuda do Daniel, foi montado um sistema de síntese sonora na plataforma MAX/MSP, plataforma para criação de mídia interativa, com especial apelo aos artistas sonoros devido o enorme potencial criativo de sua interface, no qual as modulações do feixe de laser causadas pelo deslocamento de matéria orgânica através da água pudessem ser escutadas. Menciono o feliz encontro com Daniel pois apesar do tempo desta experimentação ter sido curto, ficou claro que o universo de possíveis desdobramentos de nossa escuta é imenso. Tanto eu como Daniel trabalhamos com sistemas complexos, sejam eles de natureza matemática, sonora ou orgânica. Uma investigação nesse campo nos dá muita margem para o caos e o improviso, peças fundamentais para a emergência de novas formas, sonoras e visuais. A experimentação na Z42 foi o início de uma colaboração que se abre para inúmeras possibilidades criativas. Com o investimento de tempo e recursos adequados tenho a convicção de que muitas boas surpresas atravessarão nossos caminhos. Vejo o projeto baia de Guanabara e seu registro como o exercício de uma cartografia de ideias, visões, ações, escutas. Tal cartografia certamente nos ajudarão a mapear novos territórios sensíveis.

 

EN

Listenings for light and water

The Residence at Z42, branch of the Baia de Guanabara / Sensitive Territories Project, was marked by a happy encounter of ideas and affinities between my investigations on communication with a base on light, water and organic life and the sound inventiveness of the artist Daniel Puig. My desire, at first, was to explore how water, as a medium, could inform a laser beam, regarding the microscopic movements of organic matter from aquatic plants or, more specifically, the movement of the roots of these plants. The idea was to pass a laser beam through a glass jar containing the aqueous medium and the plant, refract this same beam through a quartz crystal, and make it fall on a light sensor. With the help of Daniel, a sound synthesis system was set up on the MAX / MSP – a platform for creating interactive media, with special appeal to sound artists due to the enormous creative potential of its interface – in which the modulations of the laser beam, caused by the displacement of organic matter through the water, could be heard. I mentioned the happy meeting with Daniel because although the time of this experiment was short, it was clear that the universe of possible consequences of our listening is immense. Daniel and I both work with complex systems, be they mathematical, sound or organic. An investigation in this field gives us a lot of room for chaos and improvisation, fundamental pieces for the emergence of new forms, both sound and visual. The experimentation at Z42 was the beginning of a collaboration that opens up to countless creative possibilities. With the investment of adequate time and resources, I am convinced that many good surprises will cross our paths. I see the Baia de Guanabara project and its documentation as the exercise of cartography of ideas, visions, actions, listening. I believe that such cartography will certainly help us to map new sensitive territories

"Obliterações"

Proposição: Cesar Baio

Realização: Alessandra Gomes, Cesar Baio, Daniele Mayor, Emanuel Barbosa, Francisco Campos, Januário Campos.

         Obliterar: Fazer desaparecer ou desaparecer uma coisa, pouco a pouco, até que dela não fique nenhum vestígio (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)

 

         Obliterações parte de uma proposição que fiz durante a residência na ilha de Paquetá para que artistas e habitantes locais criassem coletivamente junto comigo este trabalho, visando um exercício de observação e reinvenção da paisagem. A proposta partiu do interesse em examinar as tensões que se estabelecem entre a paisagem idílica da ilha de Paquetá, que historicamente atraiu o olhar de pintores, fotógrafos, escritores, turistas e habitantes do local, e as intervenções humanas de larga escala na Baia de Guanabara, instauradas pela urbanização descontrolada, pelas megainstalações industriais e pela poluição descontrolada. 

 

         A série fotográfica apresentada na Galeria Z42 resulta deste exercício e discute o que é visto e o que é negligenciado pelos sentidos quando nos deparamos com uma paisagem que efetivamente representa o Antropoceno. No trabalho, objetos de lixo flutuante que atracam nas praias trazidos pelo fluxo das marés são utilizados para esconder determinados elementos da paisagem. Paradoxalmente, o gesto poético de “fazer desaparecer” um elemento da paisagem acaba por revelar dimensões da realidade que costumam passar desapercebidas, seja por estarem submersas nas águas da baía, por serem negligenciadas pelo olhar de visitante ou por serem acessíveis somente à memória afetiva de quem vive seu cotidiano naquele lugar. Entre o que está visível e invisível, o trabalho cria vestígios do que não é visto e acaba por embaralhar as funções de registro, memória e invenção da imagem.

 

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EN

Obliterate: To remove all signs of something, either by destroying it or by covering it so that it cannot be seen.  (Cambridge English Dictionary)

Obliterations are part of a proposition I made during my residency on the Paquetá island. Artists and local inhabitants could collectively create this work together with me, aiming at an exercise of observation and reinvention of the landscape. The proposal came from the interest in examining the tensions that are established between the idyllic landscape of the island - which historically has attracted the eye of painters, photographers, writers, tourists and locals - and the large-scale human interventions in Guanabara Bay , established by unorganised urbanisation, industrial mega-installations and uncontrolled pollution.

The photographic series presented at Z42 Galery results from this exercise and discusses what is seen and what is neglected by the senses when ones is faced with a landscape that effectively represents the Anthropocene. In the art work, floating garbage objects that arrive on the beaches brought by the tidal flow are used to hide certain elements of the landscape. Paradoxically, the poetic gesture of “making disappear” an element of the landscape ends up revealing dimensions of reality that usually go unnoticed, either because they are submerged in the waters of the bay, because they are neglected by the look of visitors or because they are accessible only to the affective memory of who lives their daily lives in that place. Between what is visible and invisible, the work creates traces of what is not seen and ends up shuffling the functions of documentation, memory and invention of the image.

"Em busca da natureza perdida"

Fotografia

Nathalie Fari

         A série fotográfica em busca de uma natureza perdida emergiu de um laboratório performativo e corporal que a artista Nathalie Fari deu durante a residência artística em Paquetá. Usando o processo de documentação como base para a criação de momentos performativos assim como formas de narração, essa série problematiza as questões ambientais de Paquetá a partir de uma dimensão fictícia; a partir de um cenário pós-apocalíptico, no qual a ilha tornou-se inabitável em função das mudanças climáticas. A única coisa que sobrou, é uma série de corpos deitados sempre na mesma posição, em diferentes pontos da ilha, congelados como se o tempo tivesse parado, como se ainda houvesse uma chance de recuperação, recuperação de uma natureza perdida, de todos os tipos de vida humanos e não-humanos....

 

EN

The photo-series entitled in search of lost nature came out of a laboratory session that the performance artist Nathalie Fari gave during the residency at Paquetá. By using the documentation process as basis for creating performative moments as well as forms of narrativization, this series problematizes Paquetá’s environmental issues by giving a fictional dimension to it; by creating a post-apocalyptic scenario in which the idyllic island has become unlivable due to the consequences of climate change. Yet, there is a single remain and that is a series of bodies lying, always in the same position, at different spots of the island, frozen as if time has stopped, as if there is still a chance for recovery, recovery of lost nature, of all sorts of human and non-human life forces…

"Escritório de Desafetos pela Baía"

Fotografia e Processos Gráficos

Alessandro Paiva

        Na Galeria Z42, iniciei um processo de reflexão sobre o arquivo fotográfico, bibliografia utilizada no projeto e um caderno de bolso, que me acompanhou durante as residências artísticas, contendo relatos e notas.  Ao analisar estas memórias, sob uma operação metalinguística, busquei compor uma paisagem gráfica entre estas memórias e recortes textuais sobre Antropoceno, Gaia e as Emergências Contemporâneas nas palavras de Deborah Danowski, Isabelle Stengers, Felix Guattarri e Eduardo Viveiros de Castro. Paralelo a esta ação, também me interessei por pesquisar informações sobre os temas de contaminação, poluição, esgoto e plástico relacionados a Baía de Guanabara, em diversos formatos de conteúdo (jornalístico, científico, cultural) disponíveis na internet.  O objetivo era realizar um cruzamento destes dados, criando diálogos semânticos entre imagens e textos.

        Assim, produzi um diagrama que buscava despertar um imaginário confuso e problemático, a partir de uma composição que agrupasse uma densa dimensão de pensamentos e signos, condensando naquele momento da galeria, a complexidade de agentes e atores envolvidos na Baía de Guanabara.

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Bay Desaffection Office

Photography and Graffic Process

 

During the artistic residency at Z42 gallery, I started to work with the photographic archive, the reference books, and the personal notebook used during the residencies. Looking at those memories in a linguistic operation, I started to compose a graphic landscape with notes and some texts about Anthropocene, Gaia, and Contemporary emergences in the word of Deborah Danowski, Isabelle Stengers, Felix Guattarri and Eduardo Viveiros de Castro .  At the same time I was searching online information, published in Journals, Newspapers, websites, etc,  about the Guanabara Bay’s pollution  ( water, chemical contamination, sewage, and plastic), with the objective was to cross these data, creating semantics dialogues between image and text. 

So, I produced a diagram proposing to activate a problematic and disturbing imaginary, based on a composition that brought together a dense dimension of thoughts and signs, condensing at that moment in the gallery, the complexity of agents and actors involved in Guanabara Bay.

"Instalação do Gabinete da Ministra dos Territórios Sensíveis"

Performance

Mari Moura

          Na galeria Z42 instalamos o gabinete do MITESE com o objetivo de propor ações de intervenções artísticas, tendo como principal ocupação a realização dos despachos da pasta por meio das seguintes atividades: 1. instalar fisicamente o gabinete de trabalho; 2. conviver com os artistas e colaboradores do projeto territórios sensíveis, com intuito de propor e realizar ações artísticas coletivas; 3. conviver com os frequentadores da Galeria com intuito de explicar o que é o MITESE e quais as ações da pasta; 4. emitir e publicar portaria de posses para os assessores empossados durante as etapas do projeto na Colônia Z-10 e ilha de Paquetá; 5. Realizar transmissões ao vivo, no espaço virtual do Instagram, das intervenções realizadas. 6; Apresentar a elaboração da cartilha de performance do MITESE, onde seriam descritos os protocolos da performance “Um outro lugar” realizadas pela performer e Ministra Mari Moura.

EN

Sensitive Territories’ Ministry Installation

In the gallery Z42 we have installed the cabinet of Sensitive Territories’ Ministry, the aim of this action was to do some artistic interventions: 1. To install the cabinet of the Ministry; 2. Living together with the artists and collaborators of the sensitive territories project realizing collectives artistic actions; 3.  To explain to the visitants the actions of the Ministry; 4. Emit and publish the ordinances of the Ministry; 5. In live sessions by Instagram, to transmit the artistic interventions; 6. To present the protocols of the performances realized by Minister Mari Moura